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“Copiar tatuagem é crime”: o que diz a lei e como enviar seus desenhos
Você manda o desenho pelo WhatsApp às onze da noite, o cliente visualiza, responde “amei” e some. Três meses depois, a mesma composição aparece no Instagram de outro estúdio da cidade, com o traço mais grosso e nenhuma menção a você. Em Penápolis, no interior de São Paulo, um caso parecido foi parar no juizado especial, e o tatuador que usou o desenho de outro profissional sem autorização acabou condenado a pagar R$ 6.000.

Como o desenho vai parar em outro estúdio
Quase nunca é um golpe planejado. O cliente recebe o arquivo em alta, acha o orçamento salgado e manda o print para outro tatuador, perguntando quanto ele cobraria “numa igual”. Ou guarda o arquivo e, um ano depois, pede para alguém mais barato “só refazer”. Nos dois casos, o que saiu da sua mão foi uma imagem limpa, sem nada que diga de onde ela veio nem para quem foi feita.
O outro caminho é o seu próprio feed. Flash postado como disponível fica à vista de qualquer um, inclusive do estúdio da outra rua.
Para o feed, uma regra simples ajuda: flash disponível vai com a sua assinatura e uma marca d'água no meio, e desenho exclusivo só aparece depois de tatuado, em foto da pele cicatrizada. Assim, o que circula de graça é a tatuagem pronta, que faz propaganda para você, e não um arquivo pronto para virar decalque na bancada de outra pessoa.
Sinal antes de desenhar, ajuste com limite
Desenho exclusivo leva horas, e essas horas precisam estar pagas antes de você abrir o arquivo. Com o sinal pago (no Brasil, quase sempre por Pix; em Portugal, muitas vezes por MB WAY), levar o desenho para outro estúdio passa a custar dinheiro ao cliente, porque o sinal fica com você. Quanto cobrar depende do tamanho do trabalho; os exemplos em reais e em euros estão no texto sobre quanto cobrar de sinal.
Deixe escrito também quantas rodadas de ajuste entram no preço. Por exemplo: duas rodadas incluídas, a partir da terceira um valor à parte, e mudança completa de ideia vira desenho novo. Isso cabe na mesma mensagem em que você passa o valor do sinal e a regra de cancelamento do sinal. Pedido bem descrito desde o começo gasta menos rodada, e o modelo de briefing ajuda o cliente a chegar com tamanho, local e referências já definidos.
Quatro jeitos de mostrar o desenho, e onde cada um falha
| Como mostrar | O que resolve | Onde falha |
|---|---|---|
| Só no estúdio, na tela ou impresso | O arquivo não sai do estúdio | Cliente de outra cidade não vem só para ver, e cada ajuste vira mais uma visita |
| Foto em baixa resolução | Dificulta imprimir e tirar decalque | A ideia e a composição continuam ali para quem quiser redesenhar |
| Marca d'água só com o nome do estúdio | Mostra de onde o desenho veio | Costuma ficar no canto, some num corte e não diz quem repassou |
| Mostrar só no dia da sessão | Ninguém leva o arquivo antes | O cliente chega sem ter aprovado nada, e o ajuste come o tempo da sessão |
Nenhum dos quatro impede a cópia. Eles só deixam a cópia mais trabalhosa ou mais fácil de rastrear.
Ponha o nome do cliente na marca d'água
A marca d'água que funciona atravessa o desenho, em diagonal e semitransparente, e repete o nome do cliente junto com o do estúdio. Redesenhar à mão continua possível. Repassar o arquivo é que fica bem menos tentador, porque quem manda para outro tatuador um desenho com o próprio nome estampado no meio está assinando o envio.
Dá para fazer isso no Photoshop ou no Procreate, com uma camada de texto a cada envio. O problema é lembrar de fazer toda vez, com o nome certo, no fim de um dia de oito horas de bancada.

“Ver uma vez” faz sentido na primeira versão para um cliente que você ainda não conhece, num desenho autoral que deu trabalho. Para quem já pagou o sinal e precisa olhar o desenho mais de uma vez (mostrar para o namorado, imaginar o tamanho na frente do espelho), ele mais atrapalha do que protege, e a marca d'água basta. Use a observação para o que o cliente precisa reparar: tamanho em centímetros, posição no corpo, o que mudou desta versão para a anterior.
Aprovação com versão e horário
Cada versão enviada fica na conversa com um status que muda sozinho: “Ainda não viu” até o cliente abrir, depois “Visto”, “Aprovado” ou “Pediu ajustes”, cada um com o horário. Quando o cliente aprova, você sabe qual versão ele aprovou e quando. Quando ele pede ajuste, o comentário fica preso àquela versão, longe da pilha de áudios e prints. Se você manda uma versão nova, a anterior passa a aparecer como “Você enviou uma versão mais nova”.
No dia, tatue a versão aprovada e tire o decalque dela. Se na bancada o cliente quiser mudar algo grande, volte para a conversa e mande uma versão nova antes de seguir. Leva cinco minutos, e é o que você vai ter para mostrar quando, semanas depois, alguém disser que tinha pedido outra coisa.

Se o seu desenho aparecer tatuado em outro lugar
Antes de qualquer conversa, junte o que mostra que o desenho é seu e desde quando ele existe:
- Print do post ou do perfil em que a cópia apareceu, com data e link.
- Os arquivos originais, com camadas e esboços, e a data em que foram criados.
- O post em que você publicou o desenho, ou a conversa em que mandou a versão para o cliente, com o horário.
Guarde também os seus posts antigos. Em Penápolis, a defesa alegou que uma publicação anterior em rede social não bastava para provar quem tinha criado o desenho, e o juiz não aceitou o argumento. Com isso em mãos, às vezes uma mensagem direta ao outro tatuador resolve, pedindo o crédito ou que o post saia do ar. Se a conversa não anda, o próximo passo é um advogado.
Quando é o cliente que pede a cópia
O outro lado também chega ao balcão: o cliente aparece com o print de uma tatuagem de outro artista e pede “igualzinha”. No caso de Penápolis, o tatuador condenado tinha tatuado num cliente o desenho de outro profissional, sem autorização e sem crédito, e ainda chegou a ser premiado com ele num evento do meio. Redesenhar a partir da referência, mudando composição e traço, respeita o colega e ainda rende um trabalho que você pode pôr no portfólio. Se o cliente faz questão da cópia exata, peça autorização ao autor e cite o nome dele quando postar.
Quando copiar tatuagem é crime
Penápolis terminou em indenização: R$ 6.000 somando danos materiais e morais, segundo o Conjur, mais a obrigação de publicar nas redes quem era o autor de verdade. Esse crédito público pode valer mais para o seu nome do que o dinheiro. A lei brasileira também tem um lado criminal, e é dele que vem a frase que tanta gente digita na busca.
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